No último sábado (03/05) em Porto Alegre, participei de uma das etapas da oficina "O Corpo Performático" com o Me. em Artes Cênicas João Lima. O encontro, que aconteceu na Sala Cecy Frank da Casa de Cultura Mário Quintana, reuniu uma média de vinte pessoas com um desejo em comum: compreender e experimentar a performance e os estados que essa é capaz de acessar no corpo do artista.
Executei ações simples. Percebi os significados poéticos que, a partir dessas ações, em mim se desdobraram.
Um dos exercícios que mais me marcou foi o da agulha, no qual aliamos imaginação à ação. Imaginei que minha mão direita segurava uma agulha já com linha branca posta. Sutilmente, comecei a costurar minha mão esquerda, numa ação simples. Enfiei a agulha na mão, puxei a ponta da agulha pelo outro lado da mão e tornava a repetir. Passei a costurar ainda mais sutilmente, depois com um pouco mais de amplitude, com muito mais amplitude, e cada vez mais, até romper numa explosão onde o corpo inteiro envolveu-se na ação de costurar uma única parte do meu corpo. Tinha música de piano de fundo.
Costurar a mão, o peito, o joelho, os pés, costurar uma parte do corpo noutra; costurar-se no outro; costurar o outro em si; ao costurar, a agulha que puxa a linha puxa a parte do corpo junto.
Ao costurar o peito, memórias da infância. A vergonha de uma criança por ter vontade de costurar. Tensão pré-explosiva. Olhar repreensivo do pai, da mãe, da vó e da tia.
Eu comentei isto com o grupo no final: o simples fato do João propor ações pra serem executadas trazem uma poesia interior quando a gente está aberto pra isso. No meu caso, essas tarefas foram capazes de me conduzir à pesca de memórias, ativadas pela ação, e relacionadas intimamente com minhas experiências pessoais. Virou ideia e possibilidade para criação cênica do projeto Quando Envelhecemos.
| Mapa do trajeto pela sala. |