Cá estou novamente para o registro rápido de imagens que hoje me atravessaram, deixa eu falar sobre elas: são "visões" de cenas (ou pelo menos fragmentos do que poderão tornar-se cenas mais adiante). "Visão" é um termo que atores do Théâtre du Soleil utilizam quando sonham ou visualizam uma cena e a levam para explorá-la no momento de criação. Eu compreendo esse termo como algo para ser explorado objetiva e diretamente pelo ator e os demais.
1) Texto com ações redundantes, com o Mimo.
Bom, a primeira imagem é do Trepliov fazendo ações rápidas - alimentadas por partituras corporais - enquanto fala o texto completo do desabafo sobre a mãe: "(...) representam sempre como as pessoas comem, bebem, amam, andam, como vestem seus casacos, quando em mil variantes..." . Principalmente nesses momentos, talvez uma redundância proposital que liga a palavra com a ação.
Para isso devo decupar as imagens que o texto do Trepliov traz e atribuí-las ao Mimo Corporal, em forma de partitura corporal em que variam-se planos e direções, bem como aprendi na aula de Expressão Corporal I e repeti no Núcleo de pesquisa em Mimo Corporal (Coordenados pela prof.a Luciana Cesconetto nos anos 2009 e 2010 respectivamente).
2) Suicídio do escritor
A segunda imagem eu pensei referente ao suicídio do Trepliov. Algumas formas que não seguem a dramaturgia e que abrem espaço para outros elementos: sangue que escorre da testa (como nos efeitos especiais R.D.) passa agora a ser uma possibilidade; ou com cordas (pendurado); ou uma faixa de muitos metros que o personagem tira da testa e dá voltas ao redor de seu pescoço, utilizando do truque do nó. Não deixo de citar que as ideias de nó, cordas e movimentação rápida que tive hoje foi por influência de vídeos que assisti da peça Ensina-me a Viver. Além disso, pensei na utilização das músicas In The Mausoleum, A Sunday Smile e Napolen on the Bellerophon, de Beirut, por acreditar que elas me auxiliam na aproximação da figura do Trepliov com meu imaginário, sensações, emoções e sentimentos.
3) Compartilhando fracassos
Aquele tipo de fracasso em que só depois de anos é que você se dá conta.
Uma vez eu participei de um torneio de futsal, eu devia ter uns 10 anos. Durante os 40 minutos de jogo eu chutei uma vez a bola, e ganhei duas medalhas: a primeira porque o meu time foi campeão e a segunda foi de menor jogador em campo. Devia ter sobrado medalha pra ele fazer isso. Bom, pelo menos eu fui o único que ganhei duas naquele jogo. Objetos: as duas medalhas. Ritmo, música, dancinha.

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